domingo, 7 de abril de 2013

Casa-ilha


Os afectos trazem-nos geografias inesperadas e pedem-nos o desenho de novos mapas. Um homem do Sul amou uma mulher das Beiras e acabou encantado pela própria Beira Alta. Não amou apenas a mulher; apaixonou-se pelas formas telúricas que lhe delinearam o carácter. O despertar do enamoramento por um universo mais rente ao pólen das mimosas que à humidade das algas. Quis conhecer as Beiras, como quis conhecer a mulher: com intensidade.

Quando deixava a Grande Lisboa e horas depois avistava os acenos florestais, no IC12, ele (homem do mar) dizia-lhe a ela: 'Estamos a chegar a casa'. O verde a desafiar-lhe a curiosidade. A vontade de conhecer o chão onde começara a criar subtis raízes.

Uma das mais belas telas que ele, artista plástico, pintou tem aquilo que pode chamar-se de árvore aquática (a união plástica de dois universos). As escamas, a densidade. Agora, ele pincela mais com as palavras. E  é agora o que já era antes de a história de amor ter tido um ponto final: um belíssimo contador de histórias. Um ser que vive a vida pelo lado de dentro e que gosta de partilhar com os outros o que a a sensibilidade digeriu.

A mulher beirã um dia disse-lhe que se reescreve o mundo, com o talento que se encontra no âmago. A escrita é reescrita. E homens e mulheres, palimpsestos com batimentos cardíacos.

A casa-ilha, agora plantada no meio de uma vinha no Dão, é o símbolo da relação vivida entre esse homem marítimo e essa mulher bucólica. A casa-ilha, que ele um dia fotografou, tem dentro o verbo que este blogue pretende conjugar: ABEIRAR. Que  as imagens e os textos impregnados de vivências beirãs - que aqui serão publicados - vos façam enamorar pelo peito de Portugal.

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