terça-feira, 7 de maio de 2013

Do jardim que é um haiku





Entrar no jardim pelo lado despovoado e morno da tarde. Todo um jardim para mim, na sua despojada inteireza. A escassos metros, o cemitério da aldeia da Lapa do Lobo, em Nelas. De um lado, o verde vivo enraizado, do outro, o silêncio da (i)mortalidade. O SILÊNCIO. Ao longe, a Serra da Estrela. Aqui, o céu a poisar no vegetal. Um haiku, cá dentro. Os meus olhos a sussurrarem poesia japonesa. Sinto o jardim recém-nascido e vem-me ao céu da boca um haiku de Matsuo Bashô: "Não esqueças nunca/ o gosto solitário/ do orvalho".

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