segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dos afectos que abraçam o Dia da Mãe










O Dia da Mãe não é só um dia. É o relembrar de toda a minha vida, é o reviver dos últimos seis anos (dos quais, quatro anos e meio foram, para a minha mãe, de luta contra o cancro, depois seguiu-se o luto, nosso). É lembrar as palavras sol e chuva, arco-íris e neblina, temporal e dilúvio, cancro e esperança, desânimo e luta. E amor. E perda. E luz. E luto. O Dia da Mãe, desde que a minha, tão minha, mãe partiu, a 9 de Setembro de 2011, ficou vazio para me encher a mim de emoção e saudade, alegria e saudade, tristeza e alegria. E saudade.

No Dia da Mãe, onde antes havia o conforto de um colo quente, há agora discretas lágrimas e sorrisos e flores e fotografias gastas de tanto serem olhadas. E há vontade de celebração porque sei que tive, e tenho, a melhor mãe que poderia ter. Como me sinto tão grata pelo amor que a minha mãe me soube dar, sinto o dever de celebrar o dia de quem me deu vida, lembrando-me que sou filha de uma mulher extraordinária. Por isso, ontem decidi participar no Chá de amigas na Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, numa iniciativa promovida por uma mulher que é uma inspiração.

A entrada nos 30 anos, trouxe a Lúcia Simões uma crise existencial que despertou nela a urgência do fazer nascer um projecto que a apaixonasse. Continua a ser a responsável de comunicação e marketing da FNAC Viseu, mas decidiu que era hora de tornar a paixão pela organização de eventos numa concretização de afectos: a Guida Design de Eventos. E é de afectos que se fala quando se vê a atenção que a Lúcia coloca nos mínimos detalhes. Foi pelos afectos que a Lúcia idealizou o evento. A joalheira Rosarinho Cruz  - que cria peças como quem dá à luz - foi a fonte de inspiração para o design do Chá de Amigas. Afectos que geram afectos que inspiram afectos. Foi isso que vi, ontem, na Casa da Ínsua.

Para além de revisitar um lugar ao qual não regressava desde os adolescentes passeios domingueiros com os meus pais e mano, na Casa da Ínsua (edifício do século XVIII, com belos jardins, agora transformado em hotel de cinco estrelas), reencontrei amigos de longa data, com os quais não estava há muito, muito, tempo. Ontem, pude ainda conhecer o interior da casa onde antes só se podia entrar no hall principal. O meu afilhado Afonso definiu ontem a Casa da Ínsua como "castelo assustador", dada a enormidade  e solenidade do espaço. Aos olhos de uma criança de quatro anos, uma casa com tantos corredores e divisões afigura-se como um local cheio de mistério, povoada de pequeninos medos. Medos que se desafiam com uma espada azul feita de balões. Uma espada que, dizia o Afonso, "transforma pessoas em sapos e patos".

Celebrar o Dia de Mãe, entre afectos, é também erguer uma espada invisível que transforma saudades em sorrisos e palavras doces.

Trouxe do Chá de Amigas, um vaso com uma flor e um pacote de sementes de girassol. Não podia estar mais perto da minha mãe, que era mulher de semear - em particular, afectos e flores.

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