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Do rio que corre cá dentro

Há uma ponte que atravessa a minha vida, um rio que me enxagua as fundações. O Mondego faz parte de mim, tal como o orvalho, a geada ou o cheiro a terra molhada, o zumbido das abelhas, o cheiro a resina e a musgo, o fascínio por coisas velhas. Concluída em 1898, a ponte das Caldas da Felgueira, que marca a transição entre dois distritos (Viseu e Coimbra) e entre dois concelhos (Nelas e Oliveira do Hospital), era já velhinha quando eu nasci. Agora, é centenária e melancólica. E entristecida pelos incêndios de 16 de Outubro.
Nos Verões da minha meninice, havia tardes domingueiras que se banhavam nas margens do Mondego, havia tardes em que as mantas eram estendidas à sombra de árvores, enquanto os passos teimavam em ir direitinhos para dentro da água. Com uma banda sonora feita de cigarras, mergulhos e risos, eram tardes cheias de uma liberdade fresca. E de pneus que serviam de bóias XXL.
Nos Verões da minha infância, as pessoas estavam de braços abertos para o rio. E havia barcos a remos …

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